Podia começar por dizer que adoro cangurus e que este animal tem um significado especial na nossa história de amor e por isso era impossível não falar dele. Adoro o meu Bebé Canguru. De verdade!!!

A ideia deste post que vos escrevo vem pela mensagem de uma amiga de coração que será mãe brevemente e me veio fazer perguntas sobre o tema. E este será o meu post com mais exemplos de como é maravilhoso transportar e também ver o amor a ser carregado desta forma.

Confesso que o babywearing foi sem dúvida a melhor dica que alguma vez me foi dada a nível de pós parto e aquela dica com a qual não saberia viver, até hoje passado 12 meses!

Na realidade cruzava-me com esta forma de transportar crianças, mesmo sem saber que nome teria, sempre que vinha a Angola. Achava-a tão peculiar e tão “delas” ao mesmo tempo.

Percebia que muitas mães carregavam assim os seus filhos por necessidade, tinham de trabalhar, de sair à rua, não teriam condições para os deixar ainda tão pequenos, mas não deixava de ser algo que fazia inveja de olhar. Tinham-nos ali tão perto delas. Tão protegidos ainda que vulneráveis no meio de todo o caos que parece ser a cidade de Luanda.

Intrigava-me apenas uma coisa: Aqueles bebés, às costas, numa posição que assim à primeira vista em nada me parecia confortável e que dormiam profundamente como se estivessem no melhor mundo e super confortáveis… mas porquê?

Vamos começar pelo início…

Antes de falar sobre o babywearing vou falar de como a minha história começa. Para além de começar, ainda que inconscientemente assim que pisei terras Africanas, uma das minhas melhores amigas teve o seu primeiro e muito desejado bebé e mergulhou neste mundo, falando comigo e partilhando a toda a hora fotografias e vídeos dos seus lindos portes.

Apesar de achar imensa piada ao facto de a ver com um bebé sempre amarradinho, fazia-me um pouco de confusão como é que tudo aquilo se enrolava para que o bebé não caísse e principalmente a posição…

“Mas ele está seguro? Assim não cai? E como usas isso? Mas não fica com a cara a sufocar no teu peito? Não deve respirar bem… Parece tão apertado, ele está confortável?!”

Apesar da dúvida não poderia deixar de achar fascinante a forma como aqueles panos se entrelaçavam no corpo da mãe e do bebé e os deixavam tão confortáveis, para além de permitirem maior movimento à mãe. Derretia-me olhar para uma mãe com o seu bebé “à distância de um beijinho” numa imagem tão linda.

Quando descobri que estava grávida, comecei a ler mais ( bem mais!) e a interessar-me mais sobre o assunto.

Na realidade a prática de babywearing diria que é ancestral, praticada um pouco por todo o Mundo, desde décadas mas que tem ganho inúmeros adeptos recentemente pelos seus benefícios mais que evidentes.

A verdade nada mais era que permitir transportar os bebés enquanto os seus pais continuavam a trabalhar ou a praticar as suas tarefas. Curiosamente este método antigamente era visto uma forma da plebe transportar as suas crianças, dado que a nobreza teria dinheiro para comprar carrinhos e transportar essas mesmas crianças. Hoje em dia, para além de já não corresponder à verdade, estes “simples” panos ou mochilas são feitos de materiais cada vez mais específicos e moldáveis tornando-se uma opção cara. Seja como for é sempre mais barato que um carrinho e a meu ver, muito mais prático e que ocupa muito menos espaço.

Sabiam que nas aldeias portuguesas, transportar os bebés junto do corpo da mãe em xailes e capuchas foi uma prática comum até à poucas décadas? Vejam aqui exemplos tão amorosos. Quem diria hein?

É fácil percebermos que a evolução permitiu estes transportes de materiais naturais, penas e peles para carregar os bebés enquanto os adultos se movimentavam passassem para os tecidos elaborados e suportes muito mais ergonómicos. O engraçado é que o primeiro pano a ser criado com esta finalidade surgiu exactamente depois de uma visita a África [ É mesmo impossível não ficarmos apaixonados!].

Mas é também nesta evolução que este transporte surge associado à quebra de preconceitos e a um voltar novamente para uma parentalidade mais próxima do bebé. Durante muitos anos [e infelizmente muitas vezes ainda ouvimos esse tipo de comentário], o pegar o bebé ao colo era tido como uma má pratica que iria levar o bebé a ser mal acostumado, mimado e “dependente” [ confesso que adoro esta palavra aplicada a um bebé. Eles deveriam sair de nós a andar e a fazer a sua janta, já agora a participar nas tarefas domésticas também não? Wht…].

Felizmente as mentalidades foram-se alterando e cada vez mais vemos mamãs a carregarem os seus bebés e com muito gosto!

Se estiverem curiosos vejam mais sobre a história aqui e aqui.

O babywearing é assim uma prática de transportar o bebé “em nós”. Diria quase, vestirmos o bebé! Decidida a optar por este método, ainda grávida, fiz um workshop de babywearing com a minha querida Gosia do Carregados de Amor.

Apesar de ter adorado conhecer os tipos de portes e opções que existem, sabendo o que sei hoje teria feito ou mais tarde ou depois da piriuka nascer pois confesso que me esqueci de praticamente tudo e quando tive que usar foi uma confusão!

Ajustes aqui, vídeos ali e muita compreensão e partilha da minha querida amiga e também muita paciência da Gosia, lá consegui  amarrar a minha bebé em mim e assim ficou. Durante muitos e muitos meses.

Para nós foi a salvação, completamente.

Eu podia fazer coisas enquanto carregava (quase) sem esforço o meu bebé. Para não falar que muitas vezes de noite, dado as intolerâncias alimentares da Minion que na altura não tinham sido identificadas, muitas vezes a única forma dela [e de eu também..] dormir e ficar mais calma e numa posição confortável para ela, era amarrada a mim.

A procura deste tipo de baby carriers é de tal forma que surgiram no mercado imensos o que torna extremamente difícil a escolha ou percebermos sequer com qual o nosso bebé se dará melhor. Sinceramente para mim esta escolha é como escolher cuecas, é muito pessoal! Cada corpo é um corpo e apenas a mãe e o seu bebé sabem como se sentem melhor.

Uma coisa tem que ser garantida, que a posição ergonómica do bebé é respeitada e esse é o principal. Posição como um sapinho, com pernas em M ou seja, suporte de joelho a joelho ( e nada de pendurar as criancinhas pelas virilhas!!), à “distância de um beijinho” para manter o ponto de equilíbrio dos dois corpos.

Existem imensos carriers que em nada são ergonómicos para o bebé podendo trazer problemas a médio/longo prazo. Ainda me doí a alma sempre que vejo os bebés literalmente “pendurados pelas pernas”… Não condeno quem compra que não sabe mas condeno as marcas que supostamente deveriam ser conceituadas a usarem o seu bom nome em prol de algo que não é sequer aconselhável [ Aqui talvez fosse falar também dos andarilhos e bem… Nem vale a pena entrar por ai! Mas que me revolta, revolta!].

Aqui está uma imagem que me pareceu bastante útil quando decidi comprar e que mostra qual a posição correta que o bebé deve ter consoante a idade. Lembro-me tão bem da minha até aos 3 meses ficar enrroladinha quem nem um ovinho…! Que saudades…

As opções que existem são:
Pano elástico;Pano não elástico ou tecido; Mei tai; Mochila ergonómica; Sling de argolas; Onbuhimo.

Não vou falar de cada um mas vou falar da minha experiência. Das várias opções eu escolhi 3 tipos para me acompanharem: Sling, Pano e Mochila (marca Manduca).

Inicialmente comprei a Manduca que achei que seria muito mais fácil mas dado que esta só dava para usar quando o bebé se sentasse optei por um sling que tinha um formato de colocação bem simples. Gostei de cada um deles para diferentes fases mas sei que não os optimizei como devia por falta de treino e de suporte (suporte no sentido de saber fazer as amarrações com o suporte correto). Rendida à preguiça, a mochila passou a ser a minha melhor amiga! Facilmente ajustável a qualquer situação e mais pratica.

Se me perguntarem a opinião e se tiverem que comprar apenas um, considero que o pano, de todos é o mais versátil, mais bonito e bem amarrado dá um excelente suporte. Mas dá trabalho… E às x não dá jeito sair do carro e ter um pano de 6 metros para embrulharmos em nós e no bebé, puxar tudo, afinar, e ter a certeza que o bebé não cai (convém!).

Mas INVEJO PROFUNDAMENTE quem já tenha tanta pratica que demora quase o mesmo tempo que colocar uma mochila confesso. Ou que conseguem quase mandar os bebés para trás das costas como se fosse fácil (não é, acreditem!).

Usei e abusei do sling enquanto ela era recém nascida e enquanto consegui coloca-la bem. Depois com o aumento de peso dela passei para o pano e mais tarde para a mochila que não larguei mais até hoje (13 meses).

Por isso, em termos de praticabilidade ganha a mochila a meu ver.

E quais os benefícios deste tipo de transporte?

  • Ajudam a evitar e prevenir a displasia da anca, ou serve como meio de transporte alternativo para as crianças que necessitam de usar os aparelhos correctivos.
  • Respeita a curvatura natural da coluna do bebé, tão importante nos primeiros meses, adequando o porta-bebés exactamente à fase de desenvolvimento deles.
  • Conforto das costas e a correta distribuição do peso no portador, evitando deslocalização do centro de gravidade, dores localizadas, más posturas.
  • Os bebés transportados perto da sua mãe ( ou pai) choram menos; têm menos cólicas, refluxo e regurgitação;
  • Mamam mais e melhor com um aumento melhor de peso ( confirma-se nesta mamona!)
  • Dormem mais e melhor;
  • Acalmam-se mais rapidamente;
  • Têm menos problemas no desenvolvimento da coluna; menos problemas de displasia da anca; menos problemas de plagiocefalia (deformações do crânio);
  • Melhora o tonus muscular e coordenação motora;
  • Têm um melhor sentido social, interagindo melhor com o meio envolvente;
  • As mamãs têm menos possibilidades de depressão pós-parto – Claramente no período que estive sozinha acho que me ajudou bastante!!! Compreendem melhor os seus bebés e têm uma melhor postura corporal e movimentos controlados.

Parece-me a mim só coisas boas para adoptarmos estes bebés vestidos em nós, não? E carreguem, carreguem muito o vosso amor para sempre! <3

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