Quando ainda estava grávida, nas várias conversas com a minha querida amiga e doula, falei-lhe de como tinha medo do que vinha aí e como por vezes achava que não estava a fazer a coisa certa ou de que alguma forma iria falhar. Ela mostrou-me um artigo chamado “The Shitty Guilt Fairy” que para além de ser hilariante mostrava bem como eu me sentia e como várias mães ao longo deste percurso. ( podem ler o artigo completo aqui).

Sempre que me culpava pelo decorrer das coisas ou sempre que sentia que “não era boa o suficiente” lembrava-me deste artigo e de como esta querida (e bem maldosa!) fada aparecia quando menos queríamos a sua companhia.

A verdade é que durante todo o tempo em que estive sozinha com a minion tive inúmeras incertezas mas quase sempre uma certeza latente:“ a de que não devia ser boa mãe!” e este pensamento, por mais que o tentemos aniquilar existe em todas nós, várias vezes por dia ao longo de vários meses ou diria mesmo anos.

Por força das circunstâncias fui mãe solteira sem o ser.

O meu mais que tudo trabalhava fora de Portugal (assim como eu mas passei a gravidez em Portugal) e por esse motivo eu fiquei com a minion numa cidade que apesar de me ser conhecida, onde tinha muito pouco suporte familiar e literalmente sozinha. Isto não só foi difícil do ponto de vista físico (porque não dormir, ter que fazer tudo em casa e cuidar de uma bébé faz doer as costas…!) como principalmente psicológico.

Este será talvez o post que mais cuidado tive a escrever e que me foi mais difícil por ser tão pessoal mas eu ter a certeza que toca a tanta gente.

Apercebi-me, com o passar do tempo, que não só tinha conseguido superar as expectativas de muitos amigos, familiares e conhecidos (que achavam que vida doméstica não era para mim), mas acima de tudo estava a superar as minhas próprias expectativas. Continuava, no entanto, a culpar-me criando patamares de perfeição irrealistas de serem alcançados.

Todos os dias alguma coisa ficava por fazer ou por arrumar ou por concretizar. Parecia que todos os dias saltavam coisas dos armários directamente para o chão e por vezes, literalmente, para cima da minha cabeça.

Um dia uma amiga minha disse-me “Falei do teu dia a dia ao meu namorado e ele disse “ Pára, credo. Já tou cansado só de ouvir”. Não sei como te aguentas ainda por cima sozinha amiga, eu ia dar em louca!!”.

Nesse dia tive um click. “Eu não dei”– disse-lhe- “E tu também não vais dar…”

Nunca tive tanta certeza daquelas palavras como no dia em que as proferi. E fiquei com aquele pensamento na cabeça também para me ajudar nos dias mais difíceis.

Confesso que antes de ter a Minion pensei que o meu pós parto ia ser uma fase complicada, que ia enlouquecer muito provavelmente por tudo o que já tinha “ouvido falar”. Até me preparei para essa loucura.

Mas a verdade é que não enlouqueci. E a verdade é que descobri que era muito mais forte do que alguma vez tive noção que era e que somos muito mais fortes do que alguma vez pensamos ser. Somos Mulheres (não desfazendo)!

Mas e se eu não me sentir assim ” tão forte”?

É de extrema importância que se perceba que o pós parto é uma altura em que hormonalmente é como se fosse nos tivessem atirado para uma parede violentamente, para além de termos que lidar emocionalmente com a alegria do novo ser mas toda a responsabilidade abismal que esta nova fase acarreta.

Não é uma fase fácil de gerir por si só e aliado ao facto de não se dormir e do desgaste físico pesa e muito.

Por isso algumas mães passam pelo baby blues ou melancolia pós parto. Essa fase geralmente passa nas semanas seguintes ao parto e é sempre caracterizada por momentos de tristeza mas também de alegria, que difere da depressão pós parto.

Este artigo é a minha experiência e o que retirei dela, não querendo com isto dizer que as mães que sofrem mais nesta fase são menos fortes. Muito pelo contrário… As mães que sofrem depressões nesta fase talvez sejam “fortes demais durante muito tempo” e nesta altura o seu “corpo e mente” grita por ajuda.

Normalmente são pessoas com antecedentes de estados depressivos e é um estado que ao contrário do baby blues não precisa só de carinho e compreensão, necessita sim de tratamento psicológico/médico. O importante é estarmos atentos a esses sinais para podermos ser ajudados o mais rapidamente possível para o nosso bem e da nossa nova família.

O que é muito importante reforçar é que o papel do companheiro é fundamental [não é só fazer as criancinhas ok?].

Este papel apesar de ser importante em todo o processo atrevo-me a dizer que é excruciante a sua importância no pós parto.

Se o meu companheiro, apesar da distância, não me desse suporte emocional e quando estava não estivesse dedicado em todas as suas possibilidades a nós, teria sido uma tarefa ainda mais hercúlea. Se eu não tivesse a sua compreensão, carinho e força tudo seria mais difícil.

Ainda assim, há dias em que vai parecer ou vão sentir que estão sozinhas nesta “nova tarefa”, em que nem todo o “apoio” vos alivia. Que ” o mundo desaba apenas sobre vocês a cada choro do bebé.

O que vos digo é: Confiem que conseguem e que vão conseguir sempre. Porque no fim conseguimos todas, com mais ou menos sofrimento.

A partir do momento em que fui mãe passei a valorizar as mães mas não todas [perdoem-me, algumas mães!]. Não existe a fórmula de ser A boa mãe ou de ser A melhor que as outras ( e porque quereríamos competir com as outras mães?!).

Mas considero que ser mãe ou pai é a maior responsabilidade do Mundo e para a qual temos que, tal como numa profissão, nos actualizar, nos informar, pesquisar e querer fazer realmente o melhor para os nossos filhos.

Sim, eu sei, todas as mães querem o melhor para os seus filhos mas há que perceber o que “o melhor” significa.

E infelizmente não pode ser só. Não pode ser só instinto, não pode ser só o que ouvimos, não pode ser só o que lemos, não pode ser só o que nos dizem os profissionais de saúde, não pode ser só aquilo em que acreditamos.

Tem que ser um misto de tudo muito bem equilibrado e consciente.

Seja como for, no final do dia somos todas Mães. Trabalhadoras, mulheres, cuidadoras, pessoas.Humanas. E erramos e temos sentimentos, frustrações, imperfeições e perfeições. Somos Mulheres. Choramos, rimos, agora queremos mudar a casa e no momento a seguir queremos tudo como estava antes.Queremos dar mimo mas queremos ainda mais receber.

Não tenho nenhuma pretensão de dizer que sou mais que alguém apenas porque me informei ( por vezes até preferia não ter procurado tanta informação!). Não sou mais porque quis saber mais e fiz mais de mil perguntas. Porque tento todos os dias fazer melhor. Porque cuidei sozinha. Porque fiz um blogue e mil e uma coisas para me entreter ao mesmo tempo que me dedicava de corpo e alma a ser mãe.

Sou apenas mais uma mulher, cheia de coragem e força como todas nós. Cheia de vontades e sonhos. Cheia de amor para dar, de certezas de incertezas.
E com toda a certeza maior do mundo: a de que vou amar infinitamente até ao fim da minha vida e vou continuar sempre a procurar “ o que é o nosso melhor”, para mim, para ela e para a nossa família.

Nessas alturas, nesses diabólicos diálogos com a Fada da Culpa, respondam apenas, do fundo do coração a perguntas como : “ O que é melhor para mim? Para a minha família? O que nos faz mais sentido? Em que acreditamos realmente?”.

São estas respostas que fazem de vocês, não os pais perfeitos aos olhos dos outros, mas os pais perfeitos para os nossos filhos.

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Make it easy & be a happy mom!:)

Fotografia: Brooke Lark e Annie Theby