Posso confessar que para mim a introdução alimentar da Baby seria sempre sopas e papinhas. [Até comprei uma Bimby para poder dar asas à imaginação de purés e purézinhos com mil e uma coisa!]

Mas, tal como em todas as histórias de expectativas, não foi  nada disso que aconteceu.

Basicamente percebi, e por vezes da pior maneira com papas e sopa pelas paredes da sala, que “Os bébés sabem comer sozinhos!”. E não é que sabem mesmo?

Quando um bébé nasce ele já sabe mamar através de todo o seu instinto, tem no entanto que ser conduzido e ajudado também pela sua mãe para que a pega seja bem feita, etc. mas o instinto já está lá. Caso o ponham na barriga da mãe, vão ver o bébé a rastejar em direcção ao peito para iniciar a sucção. Isto acontece pelo Baby Lead Latch, ou seja, um instinto para procurar o alimento que envolve uma sequência de comportamentos, onde um comportamento leva a outros comportamentos.

No entanto, o bébé precisa de tempo para se adequar a esses comportamentos e determinar toda a sequência de uma óptima pega. Sobre a Amamentação irei um dia escrever ( é um tema complexo e bastante sensível!) mas o que é realmente importante é perceber que desde que nasce o bébé ele já consegue comer sozinho.

Então e depois quando cresce? Depois não muda…

Mantém os mesmos instintos de comer e é desta forma e nesta fase que aparece o Baby Led Weaning.

Esta coisa dos bébés comerem sozinhos começou a inundar as redes sociais e quase que parecia uma moda que veio  mas sim um comportamento bem pré histórico que apenas as papas e papinhas vieram camuflar.

A expressão Baby Led Weaning (BLW) foi criada por Gill Rapley, uma Consultora de Saúde e Parteira britânica e este método consiste em oferecer os alimentos em pedaços aos bebés, pedaços esses que eles possam pegar e “mastigar” mesmo que sem dentes [Aconselho a leitura do livro dela aqui  que para além de dar várias dicas tem receitas fantásticas para toda a família].

Este método apesar de gerar controvérsia entre os cuidadores, muitas vezes não é fácil de ser seguido para todos aqueles que não entendem que no primeiro ano o alimento principal da criança é o leite (seja materno ou de fórmula) e que este deve estar presente, no mínimo até aos 2 anos.

Se percebermos isso será mais fácil entendermos que o bébé vai mamar quando quiser e comer também o que quiser nas proporções que quer, quando quer. Obviamente que isto causa pânico aos pais que vão trabalhar e que os filhos tem que começar a comer ou a todos os pais em que a questão da alimentação e horário seja uma necessidade de ser controlado e rigoroso.
Quando nasce um bébé rapidamente percebemos que 1- O que sabemos afinal não sabemos; 2- Que deixamos de controlar o que quer que seja. E engane-se quem achar que tem ou deve controlar os novos seres humanos que estão também a aprender o modus operandi desta nova realidade.

Este método é uma introdução alimentar em “slow motion” que deve ser iniciado após os 6 meses de idade, em que não só damos oportunidade ao bébé de ser ele a escolher e a treinar o paladar, como também damos a oportunidade ao aparelho digestivo do mesmo se adaptar à introdução de outros alimentos que não o leite.

Também passei por essa ansiedade e duvidas: Como começo? Não é perigoso e ele não se vai engasgar? O que vai comer?

No inicio é expectável que o bébé praticamente não coma.

Sim, não podemos esperar que ele passe da mama ou biberão para um bom prato de massa com frango certo? E depois temos também um bébé que mama em livre demanda ( ou seja quando quer) e derrepente vê-se obrigado a comer quantidades e a horários rígidos. Estranho não vos parece?
Pois, para o bébé também é e por isso é esperado que ele brinque mais do que ingira na realidade esses alimentos.

Às vezes levam à boca, outras vezes fazem só uma grande confusão… mas neste processo de brincadeira vão entrando em contacto com cada alimento, sentindo a sua textura, distinguindo as cores, cheiros e sabores. E não, não se engasgam mas têm o chamado gag reflex que assusta tanto como se se engasgassem, confesso, mas não é engasgo. Na realidade é um “retornar” à boca o alimento que não se encontra bem digerido para que tenham a oportunidade de voltar a “mastigar” com as suas gengivas para desfazer e voltar a tentar engolir.

O segredo em todo este processo é confiança. Não estou a dizer para lhes darem um prato e virarem costas ” porque eles sabem comer sozinhos!”. Atenção, existem regras para se praticar o BLW mas na verdade eles sabem o que fazem e nesta aprendizagem, como em todas as outras, tem mecanismos de defesa primários. Para além de que este reflexo nos bébés é activado na base da língua e não atrás, como nos adultos, o que faz com que eles tenham alguma margem de segurança até o alimento entrar na glote.

Vantagens: Desenvolvimento de autonomia e da coordenação motora, bem como habilidades sociais dado que partilha o momento da refeição. Ajuda igualmente a desenvolver a mastigação e os músculos faciais.

Uma grande vantagem é que foi comprovado num estudo da Universidade de Nottingham que os bébés alimentados em BLW teriam mais hipóteses de comer de forma saudável no futuro, dando preferência por alimentos mais saudáveis.

 

Para que este método seja seguro é necessário cumprir com algumas regras/ procedimentos:

  • Apesar deste método poder ser utilizado a partir dos 6meses, convém que a criança já se saiba sentar sozinha e mostre interesse pela comida ( por ex quando os pais comem com ela ao colo). Estes estádios de desenvolvimentos dão-nos a certeza que a criança está preparada para o inicio da alimentação complementar.
  • Estar posicionado sentado com as costas direitas
  • A comida estar cozinhada o suficiente, ou seja, testarmos se conseguimos “quebrar” o alimento pressionando com a nossa língua no céu da boca ( não se esqueçam que os nossos minis não tem dentes!). Se sim, está óptimo!
  • Cortar os alimentos em formato de dedos compridos, para o bébé agarrar ( finger food).
  • Nunca por os seus dedos na boca do bébé ou tentar o adulto manusear o alimento. É o bébé que o deve manusear e fazer todo o controlo até à sua deglutição ou expulsão se for necessário. A nossa intervenção pode até piorar o processo e levar ao engasgamento.

Conselho: Tenham paciência e confiem nos bébés!

Não façam do momento da refeição um pesadelo pois isso terá repercussões no futuro e na forma como a vossa criança vai lidar com os alimentos e com a própria alimentação. Principalmente devem estar atentas ao vosso bébé pois ele pode ainda não se mostrar preparado para esta introdução, sendo necessário respeitar os ritmos do bébé. É uma aprendizagem e eles vão aprender a comer de acordo com as suas necessidades e a seu tempo.

Eu própria também duvidei, a certa altura, se não devia experimentar sopas e purés para a ”ajudar” a comer. E experimentei dar-lhe esses purés [ Nem imaginam a “luta” que foi com puré por todo o lado e uma boca que não se queria abrir]. Aprendi a respeita-la, ela não queria comer, não comia. Mais tarde ofereci novamente pedaços de comida e aí a diversão voltou… Eles sabem.

Duas coisas muito importantes: Esqueçam o prato, vai parar ao chao e já bem basta comida até na parede; e protejam o chão… Vai haver muito bocado de comida espalhado mas é uma delícia ver como se desenvolvem e experimentam! Acima de tudo eles aprendem imitando.

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